domingo, janeiro 06, 2008

Formas diferentes de ver o Torrão







Existem muitas formas de ver o Torrão, mesmo em termos cartográficos.

O que necessitamos de saber é de fazer perguntas para serem respondidas.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

O Torrão no Século XVIII, segundo o P. António Carvalho da Costa

Mapa do início do século XIX, de autor inglês.
No século XVIII, o P. Antonio Carvalho da Costa publica uma obra muito importante para o seu tempo e que é preciosa porque nos permite ter acesso a dados que entretanto desapareceram.


A referência bibliográfica é a seguinte:




COSTA, P. António Carvalho da . Corografia Portugueza e Descripçam Topografica do famoso Reyno de Portugal. Tomo Segundo, offerecido ao serenissimo Rey DOM JOAM V. Lisboa, na Officina de VALENTIM DA COSTA DESLANDES, Anno de MDCCVIII.


Os dados referentes ao extinto concelho do Torrão, encontram-se nas páginas 484-486 e reza o seguinte (sic)


CAPITVLO VI


Da Villa do Torraõ


No Arcebispado de Evora, sete legoas ao Sudueste daquella Cidade, em lugar plano está situada a Villa do Torraõ, banhada pela parte do Norte com a ribeira do Charrama, que tem sua origem nas vinhas de Evora, & vay desaguar na ribeira do Sado, & ambas juntas se metem no rio de Alcacer do Sal. Tem 600. visinhos com huma Igreja Parroquial com hum Prior, & Beneficiados da Ordem de Santiago, de que saõ Comendadores os Duques de Aveiro. Tem mais Casa de Misericordia, Hospital, a Igreja do Espirito Sãto, huma Ermida de S. Fausto em hum alto, donde se vè toda a Villa, outra de S. Roque, hum Convento de Frades franciscanos da Provincia dos Algarves, % outro de Freyras da mesma Ordem, da invocaçaõ de N. Senhora da Graça, que se fundou pelos annos de 1560. com licença del Rey D. Sebastiaõ em humas casas de Brites Pinta, mulher nobre, & era naquelle tempo Recolhimento dedicado a S. Martha. Depois pelos annos de 1599. se fundou o Convento com esmolas, que a Infanta D. Maria lhe deo.


A esta Villa deo foral hum Mestre de Santiago, q depois reformou El Rey D. manoel em Lisboa a 20. de Novebro de 1512. Assistem ao seu governo civil hum Juiz de fóra, tres Vereadores, hum Procurador do Concelho, Escrivaõ da Camera, tres Tabelliaens, hum Juiz dos Orfaõs com seu Escrivaõ, dous Almotaceis, hum Escrivão das Armas, & hum Alcayde. O seu termo he abundante de paõ, vinho, azeite, caça, gado, com muitas colmeas, & bons montados; tem 300 visinhos, que se dividem pelas Freguesias seguintes, Santa Margarida quatro legoas distante da Villa, Rio de Moinhos, & Odivellas, duas legoas distante da Villa.


He Alcayde mor desta Villa Joseph Galvaõ de Lacerda, cuja varonia he a seguinte.


Joaõ Fernandes Galvaõ, de alcunha Perna de Vinho, he o primeiro, de quem podemos deduzir esta familia: viveo em tempo del Rey D. Joaõ o Primeiro, foy Clerigo, & Prior de Evora, de grãde autoridade, aonde ouve de huma mulher nobre a


Rui Galvaõ, que foy hum fidalgo muito honrado em tempo del-Rey D. Affonso o Quinto, seu Escrivaõ da Puridade, Embaixador delle, & del Rey D. Duarte em Castella: casou com Branca Gonçalves, filha bastarda de Pedro Gonçalves, Prior de Santa Maria de Obidos, & Conego de Lisboa, havida em Catherina Annes, como consta de sua legitimaçaõ dada por El Rey D. Ioaõ o Primeiro no anno de 1391 & della houve, entre outros filhos, a Iorge Galvaõ, que casou em Evora com Antonia de Vasconcellos, filha de Francisco Rodrigues de Vasconcellos, & de N. Cogominho, de que teve, entre outros filhos, a


Duarte Galvaõ, que casou na Villa de Mouraõ com Leonor Segurada, filha de Ioaõ Galego, & de Ioanna Segurada, de que teve, entre outros filhos, a


Ioaõ Martins Galvaõ, que teve muitos homizios, por cuja causa se passou a Castella; depois o trouxe a este Reyno o senhor D. Iorge, Mestre de Santiago, & lhe deo a Alcaydaria mór do Torraõ, aonde viveo, % casou com Isabel Pires Soares, filha de Joaõ Vasques, & de D. Antonia Soares, de que teve, entre outros filhos, a


Belchior Galvaõ, que foy tambem Alcayde mór do Torraõ, onde viveo, & casou com Isabel das Donas Soares, filha de Antonio Lopes Soares, & de Brites de Escovar, de que teve, entre outros filhos, a


Christovaõ Galvaõ Soares, que foy tambem Alcayde mór do Torraõ, seguio as letras, foy Desembargador, & Vereador da Camera de Lisboa: casou com D. Jeronyma de Lemos, filha de Pedro Figueira, & de Camilia de Lemos, de que teve, entre outros filhos, a


Gaspar de Lemos Galvaõ, que foy Alcayde mór do Torraõ, & Desembargador dos Aggravos em Lisboa: casou no Porto com D. Anna da Sylveira de Lacerda, filha do Doutor Jorge Correa de Lacerda, Chanceller da Relaçaõ do Porto, & despachado para o Conselho de Portugal em Madrid, & de sua segunda mulher D. Joanna da Sylveira, de que teve a Gonçalo Galvaõ de Lemos, que foy Alcayde mór do Torraõ, & Cavalleiro da Ordem de Christo, sem geraçaõ; a Ioseph Galvaõ de Lacerda; a Christovaõ Galvaõ de Lemos, que estando nomeado Deputado do S. Officio de Evora, passou à India por Chanceller mór, & Inquisidor daquele Estado, aonde morreo.


Ioseph Galvaõ de Lacerda, filho segundo de Gaspar de Lemos Galvaõ, por morte de seu irmaõ succedeo na casa, & Alcaydaria mór de seu pay; he Cavalleiro da Ordem de Christo, Desembargador do Paço, & da Iunta da Inconfidencia: casou com D. Christina da Sylva & Castro, filha do Doutor Rodrigo Rodrigues de Lemos, Desembargador do Paço, & Comendador de Santa Maria de Moreira na Ordem de Christo, & de D. Ionna Figueiroa, de que tem a Gonçalo Manoel Galvaõ de Lacerda, Comendador de S. Bertholameu do Rabal da Ordem de Christo, a D. Teresa Rosa de Castro, a D. Ioanna Magdalena da Sylveira; & fóra de matrimonio a D. Ioseph da Conceiçaõ, Conego Regrante de S. Agostinho.


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Imagens do Torrão, no século passado.



Algumas Fotografias Antigas do Torrão

Imagens antigas do Torrão, obtidas no site do IGESPAR -DGM
O link: http://www.monumentos.pt/Monumentos/forms/002_C.aspx
Depois de terem seleccionado os seguintes itens: Sistemas de informação (Fontes Documentais).
Seleccionar fotografias, escolher a área do país, ex. Alentejo, depois o concelho: Alcácer do Sal e começar a pesquisar.
Devem guardar a pagina nos favoritos (para futuras consultas), porque sem aviso prévio o site do IGESPAR será alterado.
As fotos estão misturadas e a grande maioria dizem respeito ao Castelo de Alcácer. Trata-se pois de um trabalho de paciência, mas vale a pena.

sábado, abril 07, 2007

BERNARDINO RIBEYRO

Nota bibliografica de BERNARDINO RIBEYRO segundo:
- Diogo Barbosa Machado, 1741, BIBLIOTHECA LUSITANA, TOMO I, paginas 518-519.

BERNARDINO RIBEYRO natural da Villa do Torraõ na Provincia do Alentejo, Moço Fidalgo da Casa delRey D. Manoel, Capitaõ Mór das Armadas da India, Commendador de Villa Cova na Ordem de Christo, e Governador de S. Jorge da Mina. Teve por Pays a Luiz Esteves Ribeiro Thezoureiro do Infante D. Fernando filho do Serenissimo Rey D. Manoel, e a D. Izabel Pacheco filha do Dezembargador Diogo Pacheco Secretario das Embaxadas que este Monarcha mandou aos Summos Pontifices Leaõ X. e Julio II. e de D. Izabel Pacheco filha de Gonçalo Lopes Pacheco Depois de ter estudado Jurisprudencia em que sahio insigne, cultivou a Poetica com tanto applauso do seu nome, que mereceo as estimaçoens do Princepe desta divina Arte o divino Camoens chamando-lhe o seu Enio, sendo o primeiro que em toda Espanha compoz Sextinas em Redondilhas, e as Elegias em versos menores. Arrebatado de impulsos amorosos passava muitas noutes entre a espessura, e solidaõ dos bosques explicando junto à corrente das aguas com suspiros, e lagrimas a vehemencia de paixaõ taõ violenta que o obrigou a emprender impossiveis dedicando os seus affectos à Infanta D. Beatriz filha do Serenissimo Rey D. Manoel como elegantemente o cantou Manoel de Faria e Sousa na 3 Part. da Fuente de Aganip. Centur 2. Madrig. 33.
Bocacio Lusitano
En la empreza amorosa
De bella humana Diosa
Te constituye el hado Soberano
Alson de acorde Lyra
Adonde siempre en vano
Tu coraçon suspira
Viviendo de vanissimos amores
Moriste de dexarlos com dolores.
O´Bernardin feliz! Feliz tu suerte
Que un morir largo te atajo la muerte.

Casou com D. Maria de Vilhena filha de D. Manoel de Menezes filho de D. Jorge de Menezes quinto Senhor de Catanhede, e de D. Brites de Vilhena filha de Joaõ de Mello da Sylva, de quem teve huma única filha, e para testemunhar o excessivo affecto que teve a sua esposa, nunca quis passar a segundas vodas alludindo a esta resoluçaõ aquelles seus versos I. Part cap 21.
Pensandovos estou filha,
Vossa May me està lembrando.
Do seu talento poetico fazem illustre memoria Faria I. Partda Fuente de Aganip no Disc dos Sonetos ao principio; e na 3. Part no Discurs das Sextinas n. 20 na 4. Part das Elegias n 10 e no Comment as Rim de Camoens Tom. 5 pag 160 e Tom 2 p 44 na Europ. Portug. Tom 3 Part 4 cap 8 n 22. Joan. Soar de Brit. Theatr. Lusit. Litter lit B n 33 P Ant dos Reys in Enthus. Poet n 138.
Hunc prope Riberius stat quondam notus in Aula Dum Lysiae populis Sanctissima jura beatus
Rex dabat Emmanuel.
Por deligencia de seu parente Manoel da Sylva Mascarenhas fidalgo da Casa delRey,e Governador da Fortaleza de Outaõ se imprimio.
Primeira Parte de Menina, e Moça ou saudades de Bernardim Ribeiro. Evora por Andre de Burgos. 1557. 8. & ibi pelo dito Impressor 1578 e Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1645. 8.
Egloga. Interlocutores Egestio, Dalio, e Laureno.
Tem no fim estas letras iniciaes D. B. R. Sahio impressa com as Rimas de Estevaõ Rodriguez. Florencia por Zenobio Pignoni. 1623. 8.
No Cancioneiro do P. Pedro Ribeiro escrito no anno de 1577 que se conservava na Bibliotheca do Cardial de Sousa esta huma sua excellente obra de eccos que começa.
Ecco pois pelo meu mal.

quarta-feira, abril 04, 2007

FONTES DOCUMENTAIS:

A vida de Fr. ANTAM GALVAM
Nota bibliográfica segundo Diogo Barbosa Machado, 1741, BIBLIOTHECA LUSITANA, Tomo I, páginas 180-181, Coimbra.

“ Fr. ANTAM GALVAM naceo na Villa de Torraõ da Diocese de Évora na Província do Alentejo. Teve por Pays a Joaõ Martins Galvaõ Alcaide mor da Villa do Torraõ, e a Izabel Pires Soares de igual nobreza à de seu conforte. Professou o habito de Eremita de Santo Agostinho no Convento de Évora a 2 de Janeiro de 1583. Foy ornado de hum engenho admirável com que brevemente naõ só comprehendeo a língua Latina, mas a Grega, e Hebraica. Naõ teve menor intelligencia para penetrar as cciencias mayores recebendo na Universidade de Coimbra o Grão de Doutor em Theologia em 16 de Junho de 1596 na qual foy Lente de Escritura por opposiçaõ, e sentença do Concelho della em 17 de Novembro de 1601. Neste ministério encheo as obrigaçoens de insigne Cathedratico concorrendo a ouvillo naõ só os professores desta faculdade, mas ainda do Direito Pontifício, e Cesario, de tal sorte, que sendo muito ampla a Aula, era limitada para o concurso dos ouvintes dezejando todos serem discípulos da sua doutrina, entre os quais se pòde nomear o Illustrissimo D Affonso Furtado de Mendoça entaõ Reytor da Universidade, e depois Arcebispo de Braga, e Lisboa, a quem particularmante explicou, por assim lho pedir este Prelado, os Psalmos de Dvid com igual espírito que sciencia. Morreo em Santarém a 20 de Setembro de 1609 com grande sentimento da Universidade por perder hum Varaõ, como dizem Fr. António da Natividade nos Mont. De Cor. Mont. 3 Cor. Unic. N. 303. – muito mayor, que a fama, que justamente alcançara, e Fr. Thomaz de Faria Hist. Dec. I lib. 9. cap. 8 – Quem Deus, et natura omnibus, qu³ ad animi illustrationem spectant, dotibus cumulaverat. Semelhantes elogios lhe fazem Joan. Suar. De Brito in – Theat. Lusit. Litterat. Lit. A n.83. Purificac. – Chon. Da Provinc. De Port. Dos Eremit. De Santo Agost. Part.2 liv.7. Tit.I §.4 ET DE Viris illustrib. Ord. Eremit. Lib.2 cap.17. assinandolhe nestas duas obras diferente dia, e anno da morte, e ultimamente o P. Fr. Manoel de Figueiredo no Flos Sanct. August. Tom.4. pag. 135.
Deixou M. S.
Commentaria in Prophetas Minores
Sermoens vários I. Tom.

Na Via Sacra do Collegio dos Eremitas de Coimbra tem este elogio.
Fr. Antonius Galvanus Doctor Theologus latina, Graeca, et Hebraica língua peritissimus in Conimbricensi Academia Vesperariam Sacrae Paginae cathedram septenio rexit. Obiit Quinquagenarius 20. Sept. Anno Domini 1609.”

terça-feira, dezembro 05, 2006

D. FRANCISCO DO AVELLAR

Vila do Torrão.
Área do Castelo Medieval, do qual aparentemente não restam vestígios!...


Nota bibliografica segundo:
- Diogo Barbosa Machado, 1741, BIBLIOTHECA LUSITANA, TOMO II, pagina 113.


D. FRANCISCO DO AVELLAR natural da Villa do Torraõ, em a Provincia do Alentejo, taõ douto na Sagrada Theologia como em Direito Canonico, merecendo a veneraçaõ das mayores pessoas pelo seu grande talento, summa gravidade, e insigne Literatura. Sendo Deaõ da Cathedral de Portalegre, foy creado pelo Cardial Rey D. Henrique, Prior mòr da Ordem Militar de S. Bento de Aviz, cuja Prelazia administrou com zelo peo largo espaço de vinte annos. Vindo a Portalegre adoeceo taõ gravemente, que logo dispoz o seu testamento, em que ordenou fosse depositado o seu corpo no Convento das Religiosas Bernardas daquella Cidade, donde seria tresladado para o Convento de Aviz. Morreo junto do anno de 1599. Compoz.


Tractatus de antiquitate, et primordiis Ordinis Militaris Avisiensis. Esta obra remeteo com huma carta escrita no anno de 1595 ao insigne Theologo Fr. Manoel Rodrigues o qual a imprimio em o fim do Tom I Quaest. Regular impresso Salmantiae. 1600 intitulando a seu Author Reverendissimum, & de litteris maxime meritum. O Illustrissimo D. Rodrigo da Cunha cita a este Tratado in Comment ad Decret. C general dist. 54 n 90 e a Mgn. Bib. Ecclesiat Tom I Pag 217.


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Nota bibliografica de Fr. FRANCISCO DO AVELLAR
[1] segundo:
- Diogo Barbosa Machado, 1741, BIBLIOTHECA LUSITANA, TOMO II, pagina 113.

Fr. FRANCISCO DO AVELLAR Religioso, professo da Ordem de S. Domingos onde depois de ser Prègador passou á India por Missionario, assistindo alguns annos no Convento de Goa, foy mandado por Parocho de huma Igreja em os Rios de Sena em Moçambique, cujo lugar administrou com ardente zelo sendo Visitador, e Comissario Geral daquellas terras por nomeação do Tribunal do Santo Officio. Entre as muitas conversoens que fez naquella gentilidade foy a mayor a do Principe D. Diogo filho do Emperador de Monomotapa, o qual querendo conduzillo a Portugal em sua companhia se naõ efeituou esta jornada. Compoz.


Relaçaõ das Minas de prata da Ethiopia Oriental do Imperio de Monomotapa, e das cousas necessarias pertencentes para sustentaçaõ, e conservaçaõ dellas, e dos Rios de Cuama. M.S.


O original se conserva na Livraria do Convento dos Dominicos desta Corte, firmado com o sinal do Author. Nelle refere o grande fruto espiritual, que se póde colher daquellas terras, principal intento dos Reys de Portugal, em a conquista do Oriente, e a necessidade que hà nellas de Bispo por estarem muito remotas do Arcebispado de Goa. Ultimamente conclue com a grande conveniencia que este Reyno podia tirar das preciosas minas, que tem aquelle Imperio. Da obra, e do Author faz larga menção Fr. Pedro Monteiro Claust. Dom. Tom. 3 pag. 214 e 215